Mídia de Massa, Perfis de Personalidade e Medo do Crime: Um Estudo Transcultural

Título do projecto
Mídia de Massa, Perfis de Personalidade e Medo do Crime: Um Estudo Transcultural

Data de Início e de Término
Janeiro de 2015 a Junho de 2015

Investigador(a) Responsável
Prof. Doutor Thiago Gomes Nascimento


Equipa de investigação

Nome do Investigador Filiação Institucional
Dr. Thiago Gomes Nascimento ISCP (Brasil) /ISCSP-CAPP
Dra. Dália Costa ISCSP-CAPP
Doutoranda Daniele Alcântara Nascimento UnB (Brasil) /ISCSP-CAPP
Dr. Breno Giovanni Adaid-Castro IESB (Brasil)
Dr. Cláudio Vaz Torres UnB (Brasil)


Entidades Parceiras

País Entidade Parceira
Brasil Instituto Superior de Ciências Policiais
Portugal
Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
Brasil Universidade de Brasília
Brasil Instituto de Educação Superior de Brasília

 


Resumo do Projecto:

A identificação do medo do crime como um problema potencialmente tão grave quanto o próprio crime tem sido alvo de debates políticos e políticas públicas, especialmente nos últimos anos. Não só a cena política, como também investigações científicas sobre esse tema têm ocorrido com elevada frequência, como por exemplo, nos Estados Unidos. Entretanto, reduz-se essa frequência quando o cenário é Portugal e, torna-se quase inexistência no Brasil.

Diante dessa realidade, o debate político e as investigações empíricas, justificam-se por um lado, pela crescente consciência de que as consequências do medo podem ir além dos sentimentos de ansiedade pessoal. E, por outro lado, à noção do medo do crime pode ser entendido como um grande problema social, ao ser capaz de interferir na qualidade de vida, ao fazer com que pessoas evitem determinados espaços públicos, ou ainda, ao estimular políticas públicas que favoreçam às punições e a intensificação da vigilância. Além disso, parte-se do princípio de que o medo pode ser debilitante e produzir resultados sociais prejudiciais. De maneira mais específica, o medo acaba por reduzir os comportamentos de proteção, o que pode elevar os níveis de atividade criminosa, em virtude do afastamento das pessoas temerosas de atividades e de circulação, restringindo a socialização, que, de certa forma, contribuem para o controle social informal, como brevemente relatado.

Soma-se ainda, o papel de onipresença da mídia de massa, apresentando-se como uma característica fundamental das sociedades contemporânea, em que se proliferam rapidamente novas formas de comunicação. A partir desta perspectiva, a experiência do medo do crime de um indivíduo associa-se, em certos casos, a uma mídia repleta de crime, fato esse, que muitas vezes tem sido aceito sem críticas, para além dos problemas de ansiedade excessiva, ou do dano causado à confiança e as relações sociais por medo e as estratégias de prevenção que encoraja. Chegando ao ponto das imagens retratadas pela mídia, especialmente as cenas de criminalidade e violência, suplantarem o simples medo do crime e passarem a ameaçar à democracia., como observam Gerbner e seus colegas, que investigaram esse fenômeno ao longo de 30 anos, nas análises do cultivo.

O medo do crime reflete o medo de ser vítima de um crime, e não a probabilidade real de ser uma vítima. Dito de outra forma, a percepção do medo do crime não representam o perigo real ou frequência de crimes. Por esta razão, vários pesquisadores têm concentrado seus esforços na investigação dos fatores que influenciam o medo do crime nos indivíduos, como já relatado. Nessa perspectiva, são dois os principais fatores discutidos na literatura: fatores externos ou situacionais e fatores internos ou pessoais.

Especificamente ao segundo fator, traços de personalidade, as pesquisas têm mostrado correlações positivas com neuroticismo e amabilidade, assim como, correlações negativas com abertura a experiências, para os cinco fatores de personalidade. Ou mesmo para indicar que os traços de personalidade não são apenas associados a diferentes níveis de percepção de segurança, mas também com o uso de estratégias de proteção. De acordo com estes resultados uma relação entre personalidade e do medo do crime parece ser plausível.

O presente projeto centra-se na relação entre traços de personalidade, mídia de massa e medo do crime, relação essa, que não encontrou correlato na literatura, ainda mais em perspectiva comparada. Especificamente, comparar-se-á a percepção das pessoas de serem vítimas de crimes violentos (especificamente de ser atacado ou roubado), quais as medidas de segurança que utilizam e suas relações com a exposição à televisão. Além disso, irá ser investigado se as pessoas de diferentes tipos de personalidade diferem no que diz respeito ao medo do crime e às estratégias de proteção, bem como a hipótese da vulnerabilidade. Participarão como amostra deste estudo: estudantes universitários de Portugal e do Brasil e indivíduos oriundos da população dos Estados Unidos.

A pesquisa está sendo desenvolvida por intermédio de acordo de cooperação técnico-científica entre o Instituto Superior de Ciências Policiais - ISCP, Brasil a Universidades de Brasília, Brasil, o Instituto de Educação Superior de Brasília - IESB, Brasil e a Universidade de Lisboa, Instituto Superior de Ciências Sociais e de Políticas - ISCSP, Portugal, fazendo parte de estudo de pós doutoramento do coordenador da pesquisa (Professor Doutor Thiago Gomes Nascimento), não implicando custos para as organizações parceiras.

 

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