Práticas e Teorias Latentes da Administração Pública São-tomense

Título do Projeto:
Práticas e Teorias Latentes da Administração Pública São-Tomense

Data de início e de término
2013 a 2017

Investigador Responsável:
Prof. Doutor João Bilhim


Equipa de Investigação:

Nome do Investigador Filiação Institucional
Alice Trindade CAPP/ISCSP
Anália Torres CAPP/ISCSP
Cal Vasques CAPP/ISCSP
Carlos Calder CAPP/ISCSP
Celeste Quintino CAPP/ISCSP
Elisabete de Carvalho CAPP/ISCSP
Fernando Serra CAPP/ISCSP
Helena Monteiro CAPP/ISCSP
Hermano Carmo CAPP/ISCSP
João Bilhim CAPP/ISCSP
João Catarino CAPP/ISCSP
José Luís Nascimento CAPP/ISCSP
Lara  Tavares CAPP/ISCSP
Pedro Correia CAPP/ISCSP
Ricardo Ramos Pinto CAPP/ISCSP


Instituições Parceiras:

País Entidade Parceira
Portugal Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
São Tomé e Príncipe Universidade Pública de São Tomé e Príncipe

 

Resumo do Projecto:

Neste projeto, epistemologicamente, procura-se ultrapassar o confronto entre objetivismo e subjetivismo, lançando mão da noção de “habitus” de P. Bourdieu, enquanto conceito mediador que ajuda a quebrar com a separação entre indivíduo e sociedade, ou seja, o modo como a sociedade é absorvida pelas pessoas (processo de socialização) sob a forma de disposições duráveis, ou capacidades praticadas e tendências estruturadas para pensar, sentir e agir de certo modo. O habitus assemelha-se a uma mola que como ela precisa de um estímulo (situação) para atuar e, dependendo deste, pode fazer coisas opostas.

Nesta perspetiva, com este projeto procurar-se-á descrever e compreender os diversos modelos e teorias administrativos seguidos na Administração Pública Santomense pela análise da sua prática desde a colonização até aos nossos dias (Bilhim, João. Ciência da Administração: Lisboa: ISCSP, 2013).

A “prática” não é nem o efeito automático de pulsões estruturais nem o resultado da realização de objetivos pelos indivíduos mas antes “o produto de uma relação dialética entre a situação e o habitus, entendido como um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona como uma matriz de perceções, apreciações e ações e torna possível cumprir tarefas infinitamente diferenciadas, graças à transferência analógica de esquemas” adquiridos numa prática anterior (Bourdieu, Pierre. [1972] 2002. Esboço de uma Teoria da prática. Oeiras: Celta, p. 261).

Por isso, às noções de “habitus” e “prática” se convoca ainda a de “campo” para melhor entender o Estado e o seu aparelho burocrático.

A noção de “campo”, enquanto jogo e regras de jogar parece-nos útil quando se examina o papel de um Estado na condução do processo de desenvolvimento do País. O campo é um lugar em que há uma lei fundamental, várias regras, mas nenhuma nomóteta, na expressão de Bourdieu, onde há regularidades, sanções censuras, repressões e recompensas. Ora esta noção de campo afigura-se-nos crítica para compreender o Estado e o seu aparelho burocrático enquanto arena onde se cruzam e digladiam interesses contraditórios de caráter político, económico, social e cultural.

Assim, são objetivos deste projeto: reconhecer os modelos teóricos subjacentes às práticas administrativas; identificar regularidades e ruturas nos processos administrativos; descobrir continuidades e descontinuidades nas políticas perseguidas; problematizar as bases de uma futura reforma da Administração Pública de São Tomé, nas diversas áreas funcionais da Administração.

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