Chamada para edição temática da revista Comunicação Pública organizada por Raquel Barbosa Ribeiro e Filipa Fernandes

As investigadoras do CAPP Raquel Barbosa Ribeiro e Filipa Fernandes são as editoras convidadas para uma edição temática da revista Comunicação Pública. A respetiva chamada para artigos estará aberta até 15 de setembro.

Encontramo-nos na era dos serviços e a comunicação estratégica é determinante para o seu sucesso. Nas últimas décadas, o processo de digitalização da sociedade (Batra & Keller, 2016) influenciou notavelmente a comunicação estratégica.

Apesar da grande ênfase no digital nos meios académicos e profissionais nas mais recentes pesquisas, a interação digital, por si só, é insuficiente para gerar preferência de consumo e a comunicação interpessoal presencial acaba por ser, ainda, um dos grandes fatores de diferenciação entre as marcas (Berman & Thelen, 2018). A comunicação interpessoal é elemento fundamental das trocas relacionais e tem um papel preponderante na redução da incerteza dos consumidores; é ainda importante na construção de um compromisso afectivo, especialmente nos serviços, dada a sua natureza intangível (Walz e Celuch, 2012). O atendimento ao consumidor, em particular, tem sido apontado como uma das características dos serviços que pode decidir a satisfação e o regresso de quem os procura (Alge, Gresham, Heneman, Fox e McMasters, 2002). Para Kotler et al. (2017), a comunicação multicanal (online ou offline) evoluiu para a comunicação omnicanal (online e offline), para oferecer ao consumidor uma experiência de contacto contínua.

O turismo, setor de atividade em crescimento mundial e nacional, é uma das áreas onde a comunicação omnicanal tem vindo a oferecer mais oportunidades de estudo. As mudanças digitais no turismo trouxeram o crescimento dos influenciadores digitais, do e-wom, dos conteúdos gerados por utilizadores, apoiados em plataformas audiovisuais, redes sociais digitais e comunidades, com efeitos no aumento mundial da procura dos serviços turísticos, concomitantemente com a diminuição da contratação das agências de viagens tradicionais, no que ficou conhecido como processo de “desintermediação” da marcação de serviços (Law, Leung, Leung e Fong, 2015). Embora muitas previsões tenham sido feitas sobre o desaparecimento da comunicação interpessoal devido ao impacto da Internet, muitos consumidores ainda preferem conversar pessoalmente com um interlocutor especializado sobre os seus planos de viagem e tal acontece porque os benefícios emocionais que o consumidor retira da comunicação interpessoal com o seu agente aumentam o valor percebido da experiência (Terblanche e Taljaard, 2018).

Assim, em turismo, a adopção de realidade virtual nas lojas, a aposta na comunicação online coexiste com a prestação de experiências e atendimento personalizado, com componentes de comunicação verbal e não-verbal, que tem um impacto significativo em termos de retenção, lealdade e resiliência organizacional (Cerdeira, 2015).

Por este motivo, considera-se que a investigação da comunicação omnicanal em turismo pode oferecer potencial de detecção de estratégias e tácticas inovadoras, com benefícios para outras áreas de atividade, com e sem fins lucrativos.

 

Objetivos e enfoques pretendidos

  1. Identificar os agentes, os públicos, os processos e os resultados da comunicação turística – de massas, interpessoal e mediada por computador – em contexto omnicanal.
  2. Compreender os desenvolvimentos da comunicação turística em contexto omnicanal, com enfoque em: influência digital, atendimento, formação e comunicação relacional.
  3. Identificar processos de construção de narrativas e discursos turísticos em contexto de comunicação omnicanal.
  4. Compreender a perceção dos consumidores sobre a comunicação turística omnicanal.
  5. Estimular o debate sobre a complementaridade da comunicação online e offline, tomando o setor do turismo como referência.


Assim, serão bem acolhidas propostas inscritas nas problemáticas apontadas, fundamentadas numa investigação académico-científica, com destaque para os seguintes tópicos, embora não se limitando a eles em exclusivo:

  1. Agentes, públicos, processos e resultados da comunicação turística;
  2. Comunicação de massas, interpessoal e mediada por computador em turismo;
  3. Comunicação turística em contexto omnicanal;
  4. Influência digital, atendimento, formação e comunicação relacional em turismo;
  5. Narrativas e discursos turísticos;
  6. Complementaridade da comunicação online e offline em turismo.


Datas importantes:

Abertura da chamada de artigos: 26 de maio de 2019
Data limite para a submissão de artigos: 15 de setembro de 2019
Data limite de envio do parecer final: 20 de outubro
Entrega das versões finais: 10 de novembro
Data de publicação do número: 15 de dezembro de 2019

Os artigos devem ser submetidos através do modelo pré-formatado para submissão de artigos à Comunicação Pública para o seguinte endereço electrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. .

Aceitam-se artigos em Inglês, Espanhol ou Português. As colaborações propostas à CP devem ser enviadas em Microsoft Word e conter resumo até 900 caracteres, 5 palavras-chave na língua em que estão escritos e também em inglês (no caso do artigo não estar escrito nesta língua) e os dados de identificação do autor (instituição, categoria, elementos de contacto e área de especialização). Os textos completos dos artigos, com bibliografias, anexos e referências não devem exceder 50.000 caracteres, incluindo espaços, notas, bibliografia, quadros, imagens, etc.; os estudos, notas e recensões individuais não deverão ultrapassar os 10.000 caracteres. (Para mais informações consultar Normas de Publicação).

Os autores individuais ou colectivos dos artigos publicados renunciam aos seus direitos de autor a favor da Comunicação Pública.

 

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