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Representações mediáticas de Públicos Sensíveis


Data de início e de término
2018, em curso

Investigadora Responsável
Profª Doutora Carla Cruz

Coordenadora Adjunta
Profª Doutora Maria João Cunha

 

Equipa de Investigação

Nome do Investigador Filiação Institucional
 Margarida Mesquita CAPP/ISCSP
 Dália Costa CAPP/CIEG/ISCSP
 Paula Pinto CIEG/ISCSP
 Paulo Martins CAPP/ISCSP
 Célia Belim CAPP/ISCSP
 Bernardo Coelho CIEG/ISCSP
 Stella Bettencourt da Câmara CAPP/ISCSP

 

Instituições Parceiras

Instituição País
 Observatório da Criança "100 violência"
Portugal

 

Resumo do Projeto

Nas sociedades contemporâneas os media são um potencial importante na mudança de mentalidades ao nível da marcação de agendas e definição de temáticas, com uma  capacidade que implica um papel de agência em todos os assuntos. A globalização da comunicação, que caracteriza o mundo actual, amplifica o risco de homogeneização pela confluência de factos provenientes dos fluxos internacionais.

Já na segunda metade dos anos 1990 que os estudos evidenciavam representações estereotipadas das minorias, sobretudo quando os media privilegiam a exposição de uma factualidade negativa a respeito desses grupos, contribuindo para uma generalização na Opinião Pública (EUMC, 2002, pp. 36-37). Um dos motivos apontados para a existência desta generalização prende-se pela falta de representação das minorias nos meios de comunicação. Ainda hoje predominam as notícias com recurso às fontes políticas e influentes, reproduzindo, mediaticamente, uma única voz (Joana e Fernandes, 2017).

Este projeto intitulado “Representações Mediáticas de Públicos Sensíveis” tem como objetivo principal compreender em que medida e como as diferentes categorias de públicos, designados sensíveis por terem uma expressão minoritária face às temáticas mais habituais da atualidade informativa, estão a ser representados nas notícias.

Os públicos sensíveis, de acordo com a definição da ERC são “os que encontram, por motivos de ordem política, económica ou social, por incapacidades cognitivas ou por vulnerabilidade física, dificuldade em aceder ao espaço público e exercer plenamente a sua cidadania” (p. 6). Os públicos considerados neste projecto incluem os nomeados pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social: a) crianças e jovens, b) idosos, c) imigrantes – aqui considerando de uma forma mais abrangente as minorias étnicas. Incluímos ainda três outros públicos, designadamente: d) as minorias sexuais, onde consideramos as comunidades LGBT ou, ainda mais diversas, LGBTQPIA: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero, Queer, Questioning, Pansexual, Intersexuais, Assexuais, Ally (Stringer, 2013); e) as pessoas com deficiência, onde incluímos ainda as pessoas com doenças crónicas e f) as mulheres, que, não sendo obviamente uma minoria, importa verificar de que modo a sua crescente participação na vida pública a todos os níveis se reflete na importância que lhes é atribuída pelas notícias e em que medida promovem a ideia genérica de igualdade de género.

Optámos pela Imprensa por ainda ser o meio com maior efeito de agenda-setting junto dos públicos e por oferecer maior contextualização e profundidade dos factos, apesar do exponencial consumo dos meios digitais.

Desta forma, partindo da premissa que as representações mediáticas podem contribuir para construções sociais dos vários tipos de públicos considerados, propomos, a montante, uma abordagem que combina a análise de conteúdo quantitativa com uma análise qualitativa do discurso noticioso. Estas técnicas de análise permitem-nos cumprir um conjunto de objectivos específicos, que envolvem:

  1. caracterizar a relevância das notícias sobre os diferentes públicos
  2. perceber como as personagens das estórias são caracterizadas, enquanto agentes e fontes, por sexos
  3. verificar que “voz(es)” representam os interesses dos diferentes públicos considerados
  4. avaliar a valoração, por via do enfoque positivo ou negativo, das notícias que tratam os diferentes públicos
  5. identificar os “retratos” construídos pelos media para cada tipo de público

Para o efeito, analisamos um corpus crescente de, até agora, cerca de 20.000 notícias recolhidas dos maiores meios impressos em Portugal, incluindo os diários (Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Correio da Manhã e Público), semanários (Expresso e Sol) e as revistas de informação (Sábado e Visão) durante os primeiros semestres de 2014, 2015 e 2016.

A jusante, propomos, através de entrevistas semi-estruturadas a um painel de jornalistas dos vários meios:

6. compreender a percepção ética de jornalistas quanto ao tratamento noticioso de cada tipo de público.

É de sublinhar que o desenho desta pesquisa é longitudinal, que se propõe estabelecer-se como um observatório que irá não só acompanhar a produção noticiosa desde 2014 em diante como ajudar a desenhar as principais tendências evolutivas da construção de representações dos públicos em análise.

Em suma, e partindo da ideia que os media participam fortemente na construção social da realidade, propomos com este projecto delinear os diferentes fatores que podem contribuir para a descrição e construção da imagem dos grupos minoritários em estudo. As abordagens destas temáticas contribuem para um levantamento das representações sociais e opiniões mediatizadas, permitindo a caracterização do estatuto e dos papéis sociais dos grupos e minorias, seja através dos detalhes ou do tom empregue, da estratégia editorial, do discurso, das fontes, etc., enfim, todos os fatores contribuem para essa construção. Ao jornalista é concedido um papel fundamental na redacção da narrativa, não esquecendo, contudo, que também ele é produto de uma socialização e trabalhador de uma organização que funciona num determinado sistema social, cultural, político, económico e histórico que acaba por co-participar, mais directa ou indirectamente, nos inputs que entram na máquina noticiosa onde são depois formatados e disseminados.

Consideramos este projecto relevante na vertente da Sociologia da Comunicação, pois um maior e melhor conhecimento das representações mediáticas das minorias enunciadas, enquanto construções sociais, pode contribuir para se repensarem estratégias quer ao nível das políticas públicas como das posições académicas.

Este projeto articula-se com o projeto de investigação Políticas da Cultura e Planeamento Cultural - A experiência do espaço lusófono

 


 

Profª. Doutora Carla Cruz - Investigadora Principal

Carla Cruz é investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas e Doutora em Ciências da Comunicação (na especialidade de Sociologia da Comunicação) desde 2014, pela Universidade Aberta de Lisboa. Professora Auxiliar no ISCSP, Universidade de Lisboa, onde lecciona em duas áreas científicas: Sociologia e Ciências da Comunicação (Sociologia, 1º Ciclo: Sociologia da Comunicação e 2º Ciclo: Comunicação nas Organizações. Ciências da Comunicação, 1º Ciclo: Conteúdos e Audiências, Televisão e Cinema, Projecto e Seminário de Investigação; 2º Ciclo: Segmentação e Audiências e Produção Jornalística; 3º Ciclo: Técnicas Avançadas de Investigação II). É Vice-Presidente do Observatório da Criança, “100 Violência”.

Profª Doutora Maria João Cunha

Investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas, cofundadora e investigadora do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género em projetos na área do Género econstrução das sociedades contemporâneas. Doutorada em Ciências da Comunicação, Mestre em Sociologia e Licenciada em Comunicação Social. Professora Auxiliar no ISCSP-Universidade de Lisboa, em Ciências da Comunicação, Sociologia e Estudos de Género. Vice-Presidente do Observatório da Criança "100 Violência" e cocoordenadora da ST Género e Sexualidade da Associação Portuguesa de Sociologia.

 

Profª. Doutora Dália Costa

Dália Costa é investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas e cofundadora, cocoordenadora e investigadora do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género, coordenando e participando em vários projetos de investigação de âmbito e com financiamento nacional e internacional. Professora Auxiliar no ISCSP, onde leciona desde 1996 e coordena a pós-graduação em Criminologia e Reinserção Social. Doutorada em Sociologia da Família, Mestre em Sociologia, pós-graduada em Ciências Criminais e licenciada em Política Social pelo ISCSP-Universidade de Lisboa.

Prof. Doutor Paulo Martins

Investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas. Doutorado em Ciências da Comunicação e licenciado em Comunicação Social, é Professor Auxiliar Convidado no ISCSP-Universidade de Lisboa e Coordenador-Adjunto da Unidade de Coordenação de Comunicação Social/Ciências da Comunicação. Jornalista profissional, é diretor editorial da revista "Jornalismo & Jornalistas" e membro eleito da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.

Profª. Doutora Célia Belim

Investigadora no Centro de Administração e Políticas Públicas, Doutora em Ciências Sociais na especialidade de Ciências da Comunicação (2016), mestre em Ciência Política (2008) e licenciada em Comunicação Social (2000). Já desempenhou funções nos diversos sub-campos da Comunicação, como jornalismo, comunicação organizacional e assessoria mediática. Atualmente, é Professora Auxiliar no ISCSP-Universidade de Lisboa, exercendo funções de docência desde 2001. Tem publicado e participado em conferências, nacionais e internacionais sobre os seus focos de interesse que são, sobretudo: representações mediáticas, imagem e comunicação políticas, agenda mediática, política e pública, semiologia.

Profª. Doutora Stella Bettencourt da Câmara

Stella Bettencourt da Câmara é investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas e Doutora em Gerontologia (2015) pela Universidade da Coruña, Espanha. Professora Auxiliar no ISCSP, Universidade de Lisboa, onde leciona as cadeiras de Demografia, Políticas Sociais de Base Territorial, Serviço Social e Envelhecimento, Gerontologia, Métodos de Investigação e Projeto. É Secretária do Mestrado de Gerontologia Social e Coordenadora Executiva da Pós-Graduação em Gerontologia na mesma instituição. Membro de várias Sociedades e Associações Científicas nacionais e internacionais, é também a autora de “Avós e Netos. Relações Intergeracionais: A Matrilinearidade dos Afectos” publicado pelo ISCSP em 2010.