Já está disponível o Volume 04 dos Relatórios do Projeto de Investigação 50 anos de Democracia em Portugal: Aspirações Práticas – Continuidades e Mudanças Geracionais do CAPP-ISCSP

O Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP) do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP-ULisboa) divulga a publicação do quarto volume dos relatórios do projeto de investigação 50 anos de Democracia em Portugal: Aspirações e Práticas – Continuidades e Mudanças Geracionais, intitulado Atitudes face à democracia e às instituições políticas da população, dos jovens e análise comparativa.

Passados mais de 50 anos da Revolução dos Cravos, este novo volume analisa as atitudes dos portugueses face à democracia e às instituições políticas, procurando compreender o grau de adesão ao regime democrático, a avaliação do seu funcionamento concreto e os níveis de confiança nas instituições que o sustentam.

O volume 4 incide sobre quatro dimensões fundamentais:

  • Apoio difuso à democracia enquanto regime político;
  • Apoio a diferentes formas de governo para Portugal;
  • Satisfação com o funcionamento da democracia em Portugal;
  • Confiança nas instituições políticas portuguesas.

Devido à sobreamostragem do grupo etário dos jovens, o estudo permite comparar as atitudes da população portuguesa com as dos jovens entre os 16 e os 34 anos, identificando continuidades geracionais na relação com a democracia e com as instituições políticas.

Destaques do Volume 04:

Os resultados mostram que a democracia mantém um apoio normativo muito elevado em Portugal. A grande maioria da população considera que a democracia é sempre preferível a qualquer outro tipo de regime, posição também partilhada pelos jovens. Os resultados evidenciam uma forte continuidade geracional na valorização do ideal democrático.

De forma destacada, a democracia é igualmente considerada a forma de governo mais desejável para Portugal. Ainda assim, o relatório identifica alguma abertura a formas alternativas de governo, sobretudo à solução de um governo de especialistas. Em contraste, a hipótese de um governo das forças armadas é maioritariamente rejeitada, enquanto a opção de um líder forte divide opiniões em ambos os grupos.

No que respeita ao funcionamento concreto da democracia em Portugal, predomina uma avaliação favorável, embora também se verifiquem níveis relevantes de insatisfação. Os resultados mostram também que a satisfação tende a ser menor entre os cidadãos que reportam maiores dificuldades económicas e entre os residentes em contextos rurais.

A confiança nas instituições políticas apresenta um perfil mais moderado e diferenciado. O Presidente da República e as instituições locais, entre as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia, concentram os níveis mais elevados de confiança. Em contrapartida, o Governo e, sobretudo, os Partidos Políticos surgem como as instituições avaliadas de forma mais crítica. A comparação geracional revela padrões muito semelhantes, embora os jovens apresentem, em geral, níveis ligeiramente mais favoráveis de confiança institucional.

Globalmente, os resultados apontam para um democracia fortemente legitimada enquanto regime político, tanto entre a população como entre os jovens, mas acompanhada de visões críticas relevantes quanto ao seu funcionamento prático e à atuação de algumas das suas instituições políticas.

Este volume oferece, assim, um contributo relevante para compreender a qualidade e a resiliência da democracia portuguesa, mais de meio século após o 25 de abril, bem como as continuidades e mudanças geracionais nas atitudes dos cidadãos face ao regime democrático e às instituições políticas.

O volume 04 pode ser consultado no separador das Edições CAPP ou na seguinte hiperligação.